sábado, 8 de novembro de 2008

Semana Cultural Japonesa



Cultura


Na alma da terra do sol nascente


Mostra em comemoração ao centenário da imigração japonesa no Brasil começa hoje, no CIC, em Florianópolis


Yoko Ohara Diniz é uma japonesa de olhar expressivo. Há seis anos no Brasil, mantém os hábitos adquiridos na infância vivida ao Sul do Japão. Voz suave, movimentos delicados e sorriso perfeito. Yoko é pura harmonia. Aos 30 anos, a professora de japonês, casada com um brasileiro, é uma das integrantes da Associação Nipo-Catarinense, instituição que realiza, de hoje a domingo, uma Mostra da Cultura Japonesa, no Centro Integrado de Cultura (CIC), em Florianópolis.Nesta ano a comunidade japonesa festeja o centenário da chegada dos primeiros imigrantes no Porto de Santos (SP). Mas é importante lembrar que os homens da terra do sol nascente aportaram na Ilha de Anhatomirim há 205 anos, empurrados por uma tempestade que avariou o navio numa viagem de circunavegação.- Eles ficaram 70 dias atracados na Ilha recuperando o navio para prosseguir e registraram tudo o que viram. A flora e a fauna exuberantes, o mar azul e os dias quentes, a fartura de peixes, a escravidão e a acolhida do povo que habitava a antiga Desterro. Todas estas informações estão documentadas nos arquivos da Marinha Russa Imperial - observa Yochihiko Kaneyoa, um estudioso de sua etnia.

No Brasil, a comunidade japonesa soma um milhão de pessoas, mas em Santa Catarina não passa de três mil. Mas nem por isso a rica cultura deste povo - onde nada é por acaso - deixa de ser praticada. Em Florianópolis a associação já pode ser considerada multicultural, pois 60% dos seus associados são descendentes de outras etnias. Exemplo disso é a lisboeta Albertina Fonseca, que há X anos pesquisa o origami. Perfeitamente integrada na associação nipo ela fala de sua relação com a arte de transformar dobraduras de papel em obras de arte.- O origami é como a vida. A dobra tem que ser perfeita. Mas se você errar, pode refazer. Só que a marca sempre ficará no papel. Assim como na vida - compara Albertina.A mostra que ocorre hoje, amanhã e domingo no CIC é uma verdadeira maratona cultural. Oficinas de bonsai, origami, ikebana, mangá, lutas medievais, a cerimônia do chá, o quimono e seus significados, as curiosidade em torno do Nihontoo, a arte da espada japonesa, além da gastronomia. O Consulado do Japão também enviou parte do acervo com peças de rara beleza como réplicas de palácios e bonecas, entre tantas outras.Mas se fosse resumir a cultura japonesa em uma palavra. Qual seria?- Respeito. O japonês reverencia sempre o lugar. Nunca entra de forma abrupta. Primeiro é o cumprimento ao ambiente. Depois, às pessoas que fazem parte dele - diz Luiz Kiyosho Nakayama, diretor da associação.

JACQUELINE IENSEN

Link do jornal Diario Catarinense

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